Setor de serviços, que possui o maior peso no PIB, é o que apresenta retomada mais lenta. Indústria e comércio eliminaram perdas da fase mais aguda da pandemia, mas mostram perda de fôlego. Consumo das famílias e investimentos tiveram recuperação parcial
A construção civil, que também entra no cálculo do PIB industrial, foi um dos grandes destaques do 3º trimestre, com as famílias aproveitando a pandemia para realizar reformas nos imóveis e com o mercado imobiliário impulsionado pelos cortes na taxa básica de juros, atualmente na mínima histórica de 2% ao ano.
“A construção foi uma surpresa. Foi um segmento que parecia que ia derrapar, mas as pessoas continuaram comprando imóveis e a demanda por cimento subiu num ritmo maior até do que estava crescendo até anteriormente”, afirma Vale.
Agronegócio segue praticamente incólume
O agronegócio segue como um dos poucos setores que praticamente não foi abalado pela pandemia. O bom desempenho do ano tem sido sustentado pela safra recorde, pela alta nos preços das commodities agrícolas e pelo câmbio favorável para os exportadores.
Historicamente, os resultados do 3º trimestre são mais fracos que os do 1º semestre, em razão do efeito estatístico de uma base de comparação mais elevada, mas vale lembrar que o agronegócio foi o único entre os 3 grandes setores que registrou crescimento na primeira metade do ano.
“Os dados de bovinos e aves deram uma reduzida, e a produção de leite também. Foi isso que levou a um número pior no 3º trimestre”, explica Miranda, acrescentando que a expectativa é de que o setor fechará o ano com crescimento.
A safra de grãos deve atingir em 252 milhões de toneladas em 2020, patamar recorde e 4,4% acima da colheita de 2019, segundo a última estimativa do IBGE.
O Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) estima um crescimento de 1,5% do PIB da agropecuária em 2020 e de 1,2% em 2021.
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PIB trimestral por setores — Foto: Guilherme Luiz Pinheiro/G1
Consumo das famílias
O consumo das famílias – principal motor do PIB brasileiro há anos – mostrou uma recuperação parcial no 3º trimestre e foi sustentado principalmente pelos repasses do Auxílio Emergencial, que chegou a 67,7 milhões de pessoas, representando um gasto público sem precedentes de mais de R$ 230 bilhões.
A principal dúvida agora é como se comportará a economia com a redução do valor da ajuda às famílias de R$ 600 para R$ 300 no último trimestre do ano e com a perspectiva de encerramento dos programas lançados pelo governo para atenuar os impactos da pandemia.
Os analistas destacam que a produção industrial e o varejo mostram perda de ritmo e que os indicadores de confiança indicam uma desaceleração do consumo nesta reta final do ano.
“Acreditamos que vai haver uma acomodação do crescimento da atividade econômica no 4º trimestre, por isso projetamos uma queda do PIB mais próxima de 5% no ano do que de 4%”, afirma Miranda.
Pesam também nas perspectivas para o nível de consumo das famílias a inflação em aceleração, o desemprego em patamar recorde.
Incertezas inibem investimentos
A pandemia ainda fora de controle no no país, a paralisia na agenda de reformas estruturantes e as preocupações em torno da trajetória da dívida pública continuaram a abalar a confiança dos empresários e a inibir os investimentos.
Os investimentos (Formação Bruta de Capital Fixo) cresceram 11% no 3 trimestre, após queda de 16,5% no trimestre anterior. No acumulado do ano, a queda é de 5,5%.
“A preocupação fiscal é hoje o que tem emperrado uma retomada mais rápida da economia. O empresário que estava pensando construir uma fábrica em 2021, pensa duas vezes ou então avalia fazer o investimento por etapas”, afirma Alex Agostini, economista-chefe da agência de classificação de risco Austin Rating.
A taxa de investimento em percentual do PIB foi de 16,2% do PIB no 3º trimestre, contra 16,3% no mesmo período do ano anterior. Em 2013, chegou a superar 21%.
A retomada dos investimentos passa também pela agenda privatizações e leilões de infraestrutura, cujo programa federal ficou empacado e agora virou promessa para 2021 e 2022.
“Vamos começar 2021 com uma economia que ainda vai estar sendo atingida pela pandemia, não vamos ter ainda uma vacina consolidada, e com uma situação muito frágil do ponto de vista fiscal, de mercado de trabalho e de ambiente político”, diz Vale.
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PIB pela ótica da demanda — Foto: Guilherme Luiz Pinheiro/G1
Fonte: G1 | Imagem Destacada: Reprodução
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